O HOMEM NÃO SEPULTADO
O HOMEM NÃO SEPULTADO A temetetlen halott, 2004 de Marta Mészáros Nutro uma profunda admiração pela fimografia da cineasta húngara Marta Mészáros, em especial pelas obras realizadas entre as décadas de 1960 e 1970. Em filmes como A garota (1968), A adoção (1975) e Nove meses (1976), Mészáros articula com originalidade e maestria os desafios da mulher em seguir um caminho independente, equilibrando os dilemas do regime socialista com a crueza da condição da mulher operária. No entanto, Mészáros manteve-se ativa, e confesso que minha admiração não se estende com o mesmo vigor à sua produção a partir dos anos 1990. É curioso considerar que o fim do regime socialista possa ter sido acompanhado por um arrefecimento na inventividade e na contundência de sua obra. Se nos seus primeiros filmes a resistência se manifestava na fresta e na lacuna, sua produção madura revela-se mais aderente aos padrões da indústria cinematográfica do Leste Europeu. Embora tecnicamente irrepreen...